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Desabamento parcial - Eixão Sul - Uma lição a aprender.

February 12, 2018

 

Na terça-feira, dia 06/02/2018, o cidadão brasiliense foi surpreendido com o desabamento de parte do viaduto da Galeria dos Estados, que possibilita o trânsito sob o Eixão Sul, no centro de Brasília. 

 

Convidado pela Defesa Civil, o IBAPE/DF se fez presente no local, na pessoa de sua Diretora Técnica, Dra. Neusa Mota, acompanhando a vistoria realizada pelas equipes técnicas da própria Defesa Civil, da NOVACAP, do DER, da Polícia Civil e outros órgãos envolvidos, logo após o sinistro.

 

Foram constatados in loco inúmeros pontos de infiltrações na estrutura, cabos de protensão em estado avançado de corrosão, desplacamentos, manchas, bolor, concreto carbonatado, eflorescência, vazios de concretagem nas nervuras entre os alvéolos, além de flechas excessivas.

 

Diante desse quadro, a pergunta é inevitável: Qual será o destino final das estruturas de concreto armado, aparentes, das obras de arte especiais (pontes, viadutos, passarelas e túneis) e monumentais da Capital Federal? Estarão essas estruturas fadadas a sofrerem corrosão de armadura e, por fim, colapso? E as edificações do Plano Piloto? Edifícios residenciais e comerciais que estão envelhecendo junto com a Capital Federal, com suas estruturas de concreto armado e protendido, em estado avançado de degradação, com destaque ao recente acidente ocorrido em 04/02/1018, no Bloco C da SQN 210.

 

Neste contexto, é necessário pontuar a importância da colaboração e da dedicação conjunta das partes intervenientes, setores públicos e privados, sindicatos da construção civil, construtoras, institutos, síndicos, administradores, usuários, peritos, dentre outros, para que haja o cumprimento dos requisitos de durabilidade, vida útil e manutenção, que devem ser previamente definidos na fase de projeto.

 

Segundo a ABNT NBR 6118:2014, durabilidade consiste na capacidade da estrutura resistir às influências ambientais previstas e definidas em conjunto pelo autor do projeto estrutural e o contratante, no início dos trabalhos de elaboração do projeto. As estruturas de concreto devem ser projetadas e construídas de modo que, sob as condições ambientais previstas na época do projeto e quando utilizadas conforme preconizado em projeto, conservem sua segurança, estabilidade e aptidão em serviço durante o prazo correspondente à sua vida útil.

 

Também, segundo as normas da ABNT NBR 14037:2011 e NBR 5476: 2012, o conceito de durabilidade construtiva pode ser influenciado por diversos fatores, como: condições climáticas (temperatura, classe de agressividade ambiental), materiais (suas resistências às intempéries, dimensões, usos, qualidade), condições de uso, manutenção (intensidade, periodicidade) e, o principal fator de influência - o projeto. Falhas de projeto, ocasionam grandes problemas de durabilidade, assim como sua execução. Por exemplo, a existência de fissuras estruturais, facilita a penetração de agentes nocivos, capazes de corroer a armadura e danificar outros materiais (concreto), podendo comprometer a vida útil, logo, a durabilidade da construção.

 

Nessa perspectiva, a vida útil de projeto entende-se, conforme a ABNT NBR 6118:2014, como o período de tempo durante o qual se mantêm as características das estruturas de concreto, sem intervenções significativas, desde que atendidos os requisitos de uso e manutenção prescritos pelo projetista e pelo construtor, bem como de execução dos reparos necessários decorrentes de danos acidentais.

 

Dessa forma, agressividade do meio é um aspecto de suma importância quando se trata de construção, o qual está relacionado às ações físicas e químicas que atuam sobre a estrutura de concreto correspondentes as condições ambientais que interferem significativamente na durabilidade da edificação. E não somente a agressividade do meio, mas também as características do concreto e a espessura do cobrimento da armadura interferem na durabilidade das estruturas.

 

Conforme a NBR 5674:2012 a elaboração e implantação de um programa de manutenção corretiva e preventiva nas edificações e demais estruturas, além de serem importantes para a segurança e qualidade de vida dos usuários, são essenciais para a manutenção dos níveis de desempenho ao longo da vida útil projetada.

 

A gestão de manutenção, deve prever a criação de um programa de manutenção especifico e personalizado, atendendo às prerrogativas individuais de cada edificação, bem como sua concepção estrutural. A referida norma está estruturada em quatro seções, a saber, exigência dos usuários (qualitativa) – subdividido em segurança, habitabilidade, sustentabilidade; requisitos de desempenho (qualitativo); critérios de desempenho (quantitativo) e métodos de avaliação. Tem-se ainda, especificações em termos de periodicidade, procedimentos, execução de manutenções periódicas, entre outras temáticas.

 

Atendendo sempre à Vida Útil Projetada, a edificação deve ser entregue com um prazo de garantia e instruções para sua manutenção, todos especificados no Manual de uso, operação e manutenção, sendo esse um documento que reúne todas as informações necessárias para orientar o usuário da edificação.

 

O manual deve, também, esclarecer dúvidas relativas às etapas de conservação, uso e manutenção, características técnicas da construção, procedimentos recomendáveis e obrigatórios para a conservação, prevenção de ocorrência de falhas e acidentes, além de contribuir para que a Vida Útil de Projeto seja atingida, com visão holística da edificação.

 

A Engenharia Diagnóstica orienta ações proativas, por meio de diagnósticos, prognósticos e prescrições técnicas, buscando favorecer uma boa gestão predial ao decorrer da vida útil de projeto.

 

É inviável, sob o ponto de vista econômico, e inaceitável do ponto de vista ecológico e ambiental, considerar as edificações produtos descartáveis, passíveis da simples substituição por novas construções, quando os requisitos de desempenho não são mais os mesmos de uma edificação recente.

 

Com objetivo de fixar diretrizes, conceitos e procedimentos relativos à inspeção predial, a norma do IBAPE – 2011, traz diversas definições importantes, utilizadas na inspeção e manutenção predial. A normatização de tais conceitos e procedimentos, asseguram a vida útil e o correto desempenho estrutural previsto em projeto, além de contribuir imensamente para uma boa gestão de manutenção predial.

 

Também proposto pelo IBAPE/SP, o Check-Up Predial: Guia da Boa Manutenção (2012), busca informar – de maneira generalizada – a importância da manutenção predial dentro do mercado imobiliário. Envolvendo esferas além da construção, o livro busca englobar profissionais das mais diversas áreas do setor (corretores de imóveis, imobiliárias, arquitetos, engenheiros, construtoras), além dos próprios usuários e proprietários dos imóveis. Com caráter didático e amplamente prático, busca ainda modificar a visão geral dos processos de mantimento, passando-os da noção de um custo desnecessário a um bom investimento a longo prazo. Além disso, expõe a identificação de problemas comuns em edificações, os quais poderiam ser facilmente evitados por meio de inspeções e programas de manutenção periódica, agregando valor e evitando prejuízos aos imóveis assim mantidos.

 

Desabamentos, incêndios, quedas de marquises e fachadas, vazamentos, infiltrações e tantas outras manifestações patológicas provenientes dos descuidos com a edificação podem ser evitados com medidas preventivas, simples, de longo prazo, pelo planejamento que se inicia com a Inspeção Predial para a posterior implantação do plano de manutenção, que garante a boa performance do prédio, a segurança e o conforto dos seus usuários. (IBAPE-SP, 2012)

 

É indispensável, portanto, a conscientização de construtores, administradores, síndicos e usuários no intuito de transformar a cultura Brasileira e avançarmos com melhores práticas de construção e adoção de planos de manutenção eficientes, visando alcançar menores índices de custos de manutenção e estruturas com maior vida útil.

 

 

Somente assim poderemos avançar!

 

Neusa Maria Bezerra Mota, DSc

Diretora Técnica do IBAPE/DF

Diretora de Educação do IBAPE Nacional

 

 

Eron Campos S. de Andrade, MsC, PMP

Pós-Graduado em Auditoria, Avaliação e Perícias de Engenharia

Presidente do IBAPE/DF

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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